Questão sobre texto "Teoria do Não-Objeto"

 Ao ler o texto "Teoria do Não-Objeto" de Ferreira Gullar, um questionamento surgiu acerca da temática:

Se o não-objeto sai do estado de potência ao ser modificado por um "espectador", então na realidade o não-objeto nunca está apenas nesse estado, mas sim legitimando seu propósito? 

 Esse questionamento surgiu no final do texto, quando Ferreira Gullar diz que "o não-objeto reclama o espectador (trata-se ainda de espectador?), não como testemunha passiva de sua existência, mas como a condição mesma de seu tazer-se. Sem ele, a obra existe apenas em potência, a espera do gesto humano que a atualize.". A questão acima surgiu pois, a partir do momento em que o criador de um não-objeto o conclui, é impossível que tal esteja apenas em estado de potência, uma vez que, mesmo que o intervalo entre uma interação e outra seja grande, há sempre marcas do criador e de outros espectadores presentes na obra.